Segue o depoimento da mesma: “Quando recebi a proposta para participar do teu projeto, confesso que fiquei preocupada, tendo em vista todos os comentários futuros, opiniões de familiares e toda a exposição que viria junto. O que também me levou a uma reflexão (lê-se: crise existencial) sobre como vejo meu reflexo. Lembro que passei e ainda passo, por muitos problemas de aceitação. Um problema bem pessoal e que diversas vezes me impediu de sair de casa por causa da minha magreza excessiva. Uma falsa "autoafirmação” foi a principal arma que me faria fazer fugir da minha própria gaiola, meu corpo, meu corpo inaceitável. Os anos passaram e as curvas apareceram. Os seios não cresceram tanto, a bunda nem se fala. A silhueta que se mostrava na sombra, não me agradava tanto quando ganhava luz. Me tornei vítima da ditadura da beleza, tentando passar por todo tipo de processo que me fizesse ganhar alguns quilos, porque só assim iria me sentir aceitável, atrativa, feliz. Até que comecei a me perguntar o porquê de tanta negação, o porquê de tanta dor por ser magra demais, por não me encaixar, por não fazer parte da “preferência nacional”. Foi aí que percebi a vítima que tinha me tornado. Desde então, a desconstrução é uma luta diária, mas que me faz levantar a cabeça, olhar no espelho e dizer: Esse corpo é lindo SIM! Pois bem, hoje eu agradeço a estrutura que me segura, que me põe de pé, que me faz dia após dia, vencer complexos inferiores e a lidar com todo esse fantasma que se chama “corpo perfeito”. Bia, te agradeço muito pelo convite, pela tua iniciativa de registrar da maneira mais linda e sútil que OUTROS CORPOS EXISTEM SIM e que devem ser mostrados sem culpa, sem medo, sem censura. Aceitação e principalmente, sororidade! Outros corpos existem e esse corpo é todo meu! ♥"